Crianças

Esta página é dedicada aos “baixinhos”. Espero que
divirtam-se com os poemas e estorinhas, e façam deste  cantinho seu parque de diversões, cujos brinquedos encontrarão na magia que há por trás das palavras.



PING-PONG
Ana Trajano

                                                                       

       É cá e lá                                                 E lá e cá              
      É  cá e lá                                                E lá e cá

Ping-pong                                                              Pong-ping                                                           
Ping-pong                                                              Pong-ping
Ping-pong                                                              Pong-ping…

                                   Dançam os olhos
                                   Voam as mãos:

Ping-pong                                                            Pong-ping
Ping-pong                                                            Pong-ping
Ping-pong                                                            Pong-ping….

                                      Quem vencerá?
                                      E quem deixará a bolinha

                                      cair no chão?












CIÊNCIA

Ana Trajano

-Mamãe, você sabia
que PLATÃO
não é mais planeta?

-Não, filhinha!
E PLUTÃO 
deixou de ser filósofo?



















A vaca Azulzinha

Ana Trajano

Em que pasto come
minha vaca Azulzinha?
Será que tem fome
a sua alminha?

Será que amamenta
bezerros anjinhos?
E o leite que sobra
dá aos gatinhos?

Será que faz mu....u...u...u...
procurando a filhinha, 
e se não a encontra
faz grande alarde,
chamando-a para o curral
nos finais de tarde?

Era assim que fazia
a minha vaquinha!

(Do meu livro de poesia infantil "A Arca)




Minha filha, Eduarda Trajano, com dois anos
CURUMIM
Ana Trajano
(Para Eduarda Trajano)

Assim tão branquinha 
de olhos azuis,
cabelos ao vento
e o pés sempre nus;
ou suja de lama
de cara bem feia:
curumim tu és
livre na aldeia.

Em solto galope
nas tardes descendo,
um potrinho tu lembras
no haras correndo.
Mas tão livre assim,
a tudo alheia,
curumim tu és
livre na aldeia

Regando plantinhas,
sem medo de cobra
coragem lhe sobra
para mexer na teia,
pendurada na árvore
da aranha bem feia.
Ah, curumim tu és
livre na aldeia!


Rap da Paz
 Ana Trajano

A paz está nas ondas
A onda é a paz

A paz que podemos
sempre ter mais

Está em nós
É só ir atrás

Precisa de voz
Dê voz à paz

Precisa de vós
Venha a vós a paz


Vira-lata    
      Ana Trajano

Sem raça, é certo,
não tem pedigree.
Sem família, sem teto,
não tem aonde ir.

Vagando nas ruas.
Que vida de cão!
Sob o sol, sob a lua,
sem água, nem pão.

Tudo lhe falta:
amigos, carinho-
palavras tão ternas!

Aonde vai é insultado:
-sai daqui, vira-lata!
E o pobre coitado
sai com o rabinho
entre as pernas...


Pardalzinho
        Ana Trajano

Pardalzinho fez um ninho
numa árvore do jardim.
Pardalzinho sorrateiro,
fez um ninho no pinheiro,
e outro aqui dentro...
de mim!

Hei de ser telhado
e ter beiral.
De ser gramado
cobrindo todo quintal.

Hei de ser fonte, inseto,
capim.
Hei de ser casa
e ter terreiro.
De ser céu azul, arrozal,
liberdade,
enfim!
Para o pardalzinho bagunceiro
que nascer dentro
de mim!

Oração
Ana Trajano

Mãezinha do céu
Eu cansei de ver
A audiência que dá
Lágrimas tristes
Sangue e martírio

Dedos em riste
E cheiro de lírio...




E o mar avança zangado
Ana Trajano

Geleiras derretendo devagarzinho
sob o olhar de pinguins assustados,
baleias, focas, leões marinhos...
...E o mar avançando zangado!

Efeito dos gases poluentes,
jogados aos montes na atmosfera.
O Planeta, sem paz, ficou doente,
como tudo mais em nossa era.

Há nas ondas tanta mágoa,
tanto lixo, tanto óleo derramados!
Não há paz na música das águas
do mar que avança zangado!

 Ana Trajano ("A Sementinha do Bem-me-Quer)





Gulodice
Ana Trajano


-Mamãe,
quero mingau
de via láctea!

-Não, filhinha!
Você iria
regurgitar planetas!
Ana Trajano ("A Sementinha do Bem-me-Quer")


Alta costura
Ana Trajano
A joaninha
cheia de formosura
com sua roupa pintada,
na alta costura
dos gonomos e fadas!

Vestida de bolinha
tão anos sessenta
terá a mesma roupinha
em dois mil e noventa!

(Do meu livro de poesia infanto-juvenil "A Sementinha do Bem-me-Quer")


CADEIA ALIMENTAR
Ana Trajano
A lagartinha verde
escapou do sapo,
que pegou um besouro
dentro do buraco.

Pobre lagartinha
caiu da folha,
enroscou-se no chão,
fingiu-se de bolha.

Nem viu a galinha,
só sentiu o sopapo,
o aperto no bico
e fim de papo!...

(Do meu livro de poesia infanto-juvenil"A Arca")

GANSO
Ana Trajano

Parece abstrato
aquele ganso
boiando na água
com seu jeito manso!

Branquinho, branquinho,
uma pintura parece,
quando o açude sobe e desce
naquele remanso!...

Ana Trajano ("A Arca")